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Pesquisa contesta indício de vida em Marte.
Reuters
WASHINGTON - O último argumento que sustentava a hipótese de que o célebre meteorito marciano ALH-84001 continha fósseis de bactéria está ruindo.
Pesquisas anteriores já haviam mostrado que uma contaminação na Terra poderia explicar as estruturas com formato de bactéria e os compostos orgânicos encontrados na rocha, de 4,5 bilhões de anos. Agora, uma equipe internacional de pesquisadores diz que cristais de uma substância chamada magnetita não tem nada de tão especial assim. Antes os cristais encontrados na pedra eram considerados tão perfeitos e quimicamente puros que só poderiam ter sido produzidos por bactérias.
"Ainda que as semelhanças sejam intrigantes, acreditamos que não provam que esses cristais são magnetofósseis ou que constituam uma prova de vida", escrevem os oito pesquisadores chefiados por Peter Buseck, da Universidade do Estado do Arizona.
O meteorito ALH-84001 ganhou o noticiário em agosto de 1996, quando cientistas da Nasa, a agência espacial americana, disseram ter encontrado na rocha fortes indícios de que havia vida primitiva em Marte 3,6 bilhões de anos atrás. A descoberta foi recebida em princípio com surpresa; em seguida, com uma enxurrada de críticas e pesquisas que contradiziam o achado.
Neste novo estudo, que será publicado na terça-feira na revista americana "Proceedings of The National Academy os Sciences", os cientistas concluíram que os resultados anteriores do estudo específico da magnetita se baseavam em medições problemáticas, em particular as efetuadas com o microscópio eletrônico. O estudo foi chefiado pela Universidade do Estado do Arizona.
Os cristais achados na rocha são pequenos até para a medição por esse tipo de instrumento: têm de 40 a cem bilionésimos de um metro. Assim, segundo os pesquisadores, seria impossível para os cientistas da Nasa terem descrito com a precisão necessária, em três dimensões, os cristais de magnetita. A tecnologia para produção dessas imagens tem poucos anos e não estava suficientemente aperfeiçoada quando os pesquisadores da Nasa anunciaram seus resultados.
O grupo da Universidade do Arizona reavaliou os cristais com a tecnologia já desenvolvida. As formas descobertas por eles não condizem com as descritas pela Nasa. O grupo da Universidade do Arizona também criticou a agência por ter levando em conta apenas 27% dos cristais de magnetita presentes na rocha para estabelecer uma comparação com cristais produzidos por bactérias.
Fonte: GloboNews, 19.11.01.