Teoria frágil

Teoria frágil.

Nova pesquisa refuta estudo da Nasa sobre vestígios de vida em meteorito marciano.

Um novo estudo divulgado na semana passada pela revista Science joga um balde de água fria numa das mais sensacionais descobertas do século. Cientistas da Universidade da Califórnia afirmam que os traços químicos encontrados num meteorito vindo de Marte não são resultado de ação biológica, como a Nasa anunciou há dois anos. Se a nova conclusão for correta, cai por terra a primeira evidência científica de que, pelo menos num passado remoto, já houve alguma forma de vida em outro planeta do sistema solar. Depois de analisar o meteorito, a equipe californiana garantiu que os traços ali existentes são resultado de uma reação entre dióxido de carbono e ozônio da atmosfera marciana. Isso não bate com a afirmação dos cientistas da Nasa, de que eles seriam produzidos por atividades bacterianas. "Vida depende de água", explica Mark Thiemens, um dos autores do novo estudo. "Portanto, se foi um processo biológico, teria de haver resíduo de oxigênio que já foi água. Não é o que vimos lá."

O meteorito marciano é alvo de controvérsia na comunidade científica desde que a Nasa fez o anúncio bombástico. Até agora nenhum pesquisador independente concordou com a hipótese formulada pela agência espacial americana. Ninguém nega que a pedra, achada na Antártica anos atrás, seja mesmo de Marte. Acredita-se que ela foi lançada ao espaço depois do choque do planeta vermelho com um asteróide e vagou pelo espaço durante milhões de anos, até cair na Antártica. A Nasa mantém suas afirmações iniciais e diz que o novo estudo talvez não tenha analisado as mesmas estruturas observadas por sua equipe.

Fonte: Veja, 10.06.98.


 

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