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Meteorito dá pista de vida em Marte.
Cristais de magnetita teriam sido formados bactérias.
WASHINGTON - Novos estudos sobre o misterioso meteorito ALH 84001, encontrado na Antártica em 1984, revelam novas evidências de que Marte um dia abrigou vida. Pesquisadores do Ames Research Center, na Nasa, descobriram que cristais de magnetita extraídos do meteorito são formados por cadeias de átomos, que só podem ter se originado em organismos vivos. Mais que reforçar a teoria de que houve vida no planeta vermelho, os cientistas já falam que a vida na Terra teria vindo do planeta vizinho.
A magnetita é um óxido de ferro. Cada cristal que forma as cadeias encontradas no meteorito só pode ter sido ligado um ao outro e conservado durante bilhões de anos se a estrutura que os mantém vinculados for bastante sólida, característica dos materiais orgânicos. ''As cadeias têm origem biológica'', disse Imre Friedmann, líder do estudo, publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences.
Choque - Os pesquisadores acreditam que as cadeias de magnetita foram fixadas em rachaduras da superfície marciana depois de um meteoro ter atingido o planeta, há 3,9 bilhões de anos. Na ocasião as bactérias que abrigavam essas estruturas teriam morrido. Outro choque teria lançado pedaços do solo de Marte no espaço. Um deles, o ALH 84001, teria caído na Terra entre 11 mil e 13 mil anos atrás.
Em 1996, um estudo sobre o ALH 84001, outro estudo da Nasa havia apontado traços de fósseis de micróbios que teriam surgido em Marte. Muitos duvidaram, no entanto, de que a vida microbiana teria de fato originado no planeta vermelho. Mais um estudo, publicado na mesma revista americana que veicula a descoberta da Nasa, promete esquentar o debate.
O geólogo David McKay, do Johnson Space Center, concluiu que os cristais de magnetita do 84001 são semelhantes aos formados por bactérias que vivem na Terra. Ironicamente, no entanto, o pesquisador descartou que microorganismos terrestres tenham se alojado no interior do meteorito. ''Os testes que fizemos eliminam essa possibilidade'', disse.
Fonte: Jornal do Brasil, 27 de fevereiro de 2.001.