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As "bactérias" de Marte.
Um pequeno meteorito caído na Antárctida possui estruturas idênticas às de microrganismos fossilizados.
Quando cientistas da NASA, em Agosto de 1996, revelaram ter encontrado provas de uma antiga vida primitiva em Marte, através do estudo de microfósseis encontrados num meteorito proveniente daquele planeta e achado na Antárctida, a generalidade da comunidade científica acolheu a declaração com bastantes reservas. Mas, agora, e depois de uma série de experiências, reafirmaram que as invulgares características do meteorito apontam, de facto, para a existência no pequeno bloco de rocha de bactérias fossilizadas.
No seu novo estudo, os cientistas da NASA utilizaram uma simulação "comprimida no tempo" para provarem a sua alegação. Em 1996, um dos principais argumentos contra era o de que as estruturas identificadas no meteorito eram demasiado pequenas para serem provenientes de organismos do tipo bacteriano. Agora, os cientistas provaram que estruturas fossilizadas como as achadas no meteorito podem formar-se depois de micróbios terem morrido. Os cientistas criaram bactérias terrestres, retiradas de rochas, em condições que simulavam o ambiente a grande profundidade na Terra, sem luz e sem qualquer influência ambiental da superfície. Quando essas bactérias morreram, fossilizaram-se em apenas oito semanas.
"Pensamos que demonstrámos claramente que existem nos registos biológicos da Terra estruturas semelhantes no tamanho e na forma às do meteorito marciano", disse Kathie Thomas-Keprta, dos Lockheed Martin Space Mission Systems and Services, em Houston. No entanto, a cientista acrescentou que esta comparação não prova definitivamente que as estruturas do meteorito são organismos fossilizados.
O meteorito, com cerca de dois quilos e que se julga ter 4,5 mil milhões de anos e corresponder ao período de formação de Marte, deve ser resultante do impacte de um grande objecto contra o planeta, há 15 milhões de anos, que o arrancou da superfície. O objecto viajou pelo espaço até cair na Antárctida, há 13 mil anos. Foi encontrado em 1984, num campo de gelo, por uma expedição da National Science Foundation, mas a sua possível origem marciana apenas foi identificada em 1993, depois de a sua composição química ser comparada com os resultados das análises efectuadas pela sonda Viking, que pousou em Marte em 1976.
O primeiro estudo, publicado na revista Science em Agosto de 1996, foi dirigido por Kathie Thomas-Keprta e por David McKay e Everett Gibson, do Johnson Space Center, da Nasa, com a colaboração de cientistas da Universidade de Stanford, na Califórnia, e de outros investigadores da agência espacial americana.
Everett Gibson comentou agora o novo estudo, afirmando que confirma os resultados do anterior, que se prolongou por dois anos.
Fonte: In "DN", em 14 de Fevereiro de 1.999.