ALH84001

ALH84001

A agência espacial americana, Nasa, anunciou em agosto de 1996 ter encontrado o que poderia ser uma das maiores descobertas científicas da história da humanidade: um forte indício da existência de vida fora da Terra. Estudos realizados em um meteorito vindo de Marte, e encontrado em 1984 na Antártida, sugeriam a presença no planeta vermelho de bactérias parecidas com os organismos unicelulares que habitaram a Terra há bilhões de anos.

ALH84001, foi o primeiro meteorito encontrado na Antártida, na região de Allan Hills, no ano de 1984, vendo daí o seu nome. A estória do meteorito segundo imaginam os cientista é essa: há 15 milhões de anos um imenso cometa ou asteróide deve ter atingido Marte, fazendo com que vários pedaços de rocha marciana fossem jogados no espaço, como os estilhaços de uma explosão. Por 15 milhões de anos então, esses pedaços de rocha vagaram pelo espaço e alguns deles acabaram se chocando com a Terra na forma de meteoritos. O meteorito em questão passou seus últimos 130 séculos soterrado sob a capa de gelo antártico. O ALH84001 provém de Marte, quanto a isso não existe dúvidas. Dois métodos foram usados para determinar a sua origem. O primeiro, e mais exato, foi comparar os dados sobre a atmosfera de Marte coletados no planeta vermelho pela sonda americana Viking, em 1976, com as amostras de gases contidas em bolhas hermeticamente lacradas que muitos dos meteoritos guardam em seu interior. As bolhas doALH84001 tinham gases com a mesma composição da atmosfera marciana. A segunda maneira de determinar a origem de um meteorito é examinar a composição química da rocha. Também de acordo com esses exames, o ALH84001 não poderia ter vindo de outro planeta senão de Marte. O interessante desse meteorito em particular veio da datação radioativa, que estimou a sua idade em mais de 3 bilhões de anos (3,6 bilhões de anos), sendo então o meteorito mais velho de Marte encontrado na Terra. Esse fato não é importante somente pela sua idade em si, mas pelo fato de ser proveniente de um período em que se acredita que o planeta vermelho era mais quente e úmido, portanto hábil de sustentar a vida que conhecemos.

O meteorito marciano, do tamanho de uma batata (pesa menos de dois quilos), permaneceu por doze anos nos depósitos da Nasa. Com o desenvolvimento recente (isso em 1.996.) de microscópios eletrônicos de extrema potência, um time de experts liderado por David Mc. Kay e Everett Gibson analisaram a rocha e encontraram evidências que parecem apontar a presença de um antigo fóssil na rocha. Todas as evidências podem individualmente serem explicadas por reações inorgânicas, mas coletivamente sugerem uma explicação biológica.

O meteorito contém compostos orgânicos e certos cristais de ferro oxidado comumente associados à atividade biológica das bactérias primordiais terrestres.

Segundo os pesquisadores, algumas das texturas e formas gravadas em rachaduras da rocha esconderiam não apenas anomalias químicas, mas as próprias bactérias fossilizadas. São bactérias do tipo filamento, bastante comuns na Terra. As formas possivelmente presentes no meteorito marciano, no entanto, são de tamanho bem mais reduzido do que suas congêneres terrestres, semelhantes a bactérias que existiram nos primórdios da história geológica da Terra. O maior desses fósseis (de moléculas orgânicas) não tem mais do que um centésimo da espessura de um cabelo humano, se colocássemos um ao lado do outro precisaríamos de mil deles para chegar ao tamanho do ponto que fecha esta frase. Estas moléculas seriam também a mais antiga forma de vida já descoberta pelos cientistas. Porém, a presença física das bactérias na rocha, ainda tem que ser provada. A melhor maneira para isso é detectar a presença de paredes celulares fósseis gravadas na superfície do meteorito. Sem paredes celulares capazes de conter os compostos orgânicos a vida simplesmente não existe.

Dúvidas e Certezas. O que os cientistas já têm comprovado (isso em 1.996) sobre o meteorito e o que ainda falta esclarecer.

A rocha veio de Marte?

Certeza absoluta.

As marcas são de bactérias?

Quase certeza. Áreas do meteorito estão cobertas por glóbulos de carbonato que podem ou não ter origem biológica. Aparecem no microscópio eletrônico num padrão mais compatível com a vida bacteriana. Alguns têm a forma oval, outros são tubulares. Em aparência e tamanho, são muito parecidos com os fósseis de bactérias terrestres. Existe porém, a pequena possibilidade de terem sido formado por processos não orgânicos.

As bactérias são de Marte?

Dúvida. A Nasa diz que rachaduras produzidas há milhões de anos separam ao meio os sinais de vida bacteriana. Ou seja, eles seriam anteriores à queda na Terra. Certos indícios, como o fato de estarem concentrados no interior da rocha e não na superfície, segundo a NASA, descartam a possibilidade de o meteorito ter sido contaminado por bactérias terrestres depois de ter caído na Terra. Muitos acham as provas inconsistentes.

Há bactérias fossilizadas na rocha?

Dúvida total. A Nasa acha que há mais do que sinais do metabolismo bacteriano. Certas texturas seriam as próprias bactérias marcianas fossilizadas. Cientistas independentes não acreditam nisso. A detecção de paredes celulares colocaria um ponto final a questão. A própria questão da possibilidade biológica da existência de bactérias tão pequenas é colocada em dúvida.

 

Artigos da época, em 1.996:

O mistério do planeta vermelho, Revista Veja.

Assombrosa vida em Marte, Revista Isto É.

ALH 84001: O Mensageiro de Marte. Editora Saraiva.

Evidências de Vida em Marte. Por Gerson Lodi-Ribeiro.

Artigo de Renato Sabbatini. Publicado no Jornal Correio Popular, Campinas.

Marte e as novas descobertas. Oswaldo Massambni e Marta S. M. Mantovani.

 

Notícias subsequentes:

Vida difícil em Marte. Revista Expresso, 06.12.97.

Uma prova de vida... na Terra?, "O Público", 16.01.98.

Teoria frágil. Revista Veja, 10.06.98.

As "bactérias" de Marte, "O DN", 14.02.99.

Vida em Marte - novas reinvidicações, BBC, 27.08.99.

ALH84001 El meteorito con ¿vida marciana?,15.12.99.

Estudo em meteorito enfraquece idéia de que já houve vida em Marte. Globo.com, 04.03.00.

Se logran reproducir en laboratorio las estructuras del meteorito ALH840001, The Mars Society España, 02.08.00.

Organismos de Marte resistiram a viagem à Terra, AFP, 27.10.00.

Bactéria sobreviveria de um planeta a outro em um meteorito, Folha de S.P. 27.10.00.

Mais pistas sobre vida em Marte. Digito.pt, 15.12.00.

Hipótese de vida em Marte. Lusomundo, 15.12.00.

O mistério do meteorito marciano. In "DN", 17.12.00.

Novo estudo liga meteorito a possível vida em Marte, Globo.com, 19.12.00.

Meteorito apresenta provas evidentes de vida em Marte. Lusomundo, 27.02.01.

Cristal provaria que houve vida em Marte, dizem especialistas da Nasa. CNN.com.br, 27.02.01.

Meteorito dá pista de vida em Marte. Jornal do Brasil, 27.02.01.

Cadeias Magnéticas Insinuam Vida Marciana, SKY & Telescope, site Astronomos, 01.03.01.

O calhau de Marte. Revista Expresso, 10.03.01.

Cientistas anunciam possível evidência de vida em Marte. Site Bion, 11.06.01.

Evidência petrológicas para o derretimento por choque. Site Bion, 11.06.01.

Pesquisa contesta indício de vida em Marte. GloboNews, 19.11.01.

Em causa os Indícios de Micróbios Marcianos. In Publico, 27.11.01.

Estudo refuta evidência de vida marciana. FolhaOnline, 15.05.02.

Novas evidências da existência de vida no passado de Marte. Mars Exploration, 02.08.02.

Serão bactérias marcianas? Astro Notícias, 08.08.02.

Cientistas australianos afirmam que a vida pode ter existido em Marte. 29.01.04.

Estudos põem em duvida a existência de bactérias no meteorito marciano. 05.05.04.

Artigo: O que são nanobactérias ?



Resumindo:

    1. Glóbulos de Carbonato (formados em um ambiente quente ou morno?);

    2. O problema é que as rochas marcianas foram expostas a condições quentes e mornas. Acima os glóbulos de carbonato.

    3. Grãos de Magnetita (Semelhante as magnetitas das bactérias magnetotacticas);

    4. Na Terra, as bactérias magnetotacticas (acima) usam o campo magnético da Terra para "subirem ou descerem". Quando morrem, deixam para trás grãos microscópicos de magnetita, freqüentemente em longas cadeias. É o que nós vemos (abaixo) no meteorito marciano?

    5. Hidrocarbonetos Policiclicos Aromáticos –PAHs (Complexas moléculas orgânicas);

    6. O ALH84001 contém complexas moléculas orgânicas: Hidrocarbonetos Policiclicos Aromáticos –PAHs. Sua concentração aumenta em direção ao interior do meteorito, então eles provavelmente não são contaminações da Terra. Porém os PAHs não necessitam de vida para se formar, logo não necessariamente isso significa que existiu vida em Marte.

    7. Bacteriomorfos (Estruturas segmentadas semelhantes a bactérias).

    8. Bacteriomorfos são mostrados no Microscópio SEM (Scanning Electron Microscope). Eles são 100 vezes menores do que a menor bactéria conhecida. Razão essa para que os biólogos duvidem se realmente são bactérias. Existiria lugar para a informação genética! Se não, não há vida. No entanto, bactérias tão pequenas quanto as supostas marcianas foram descobertas nos anos seguintes a da publicação do artigo.

Porém, ainda hoje, o que melhor exemplifica o caso é a célebre frase de Carl Sagan.

"Extraordinárias descobertas necessitam de extraordinárias provas."



 

Planeta Marte